Dois padres catarinenses chamaram atenção nas redes sociais nesta semana após receberem pedidos de oração por Odete Roitman, personagem da novela Vale Tudo, exibida originalmente em 1988 pela TV Globo e atualmente em reprise. O episódio gerou repercussão entre fiéis e religiosos, levantando reflexões sobre o papel da fé diante da ficção.
Em Blumenau, o padre Gabriel Natan, vigário da Paróquia São Francisco de Assis, relatou que uma paroquiana o procurou solicitando orações por uma pessoa falecida. Ao perguntar o nome, foi surpreendido com a resposta: “Odete Roitman”. O caso foi compartilhado nas redes sociais e rapidamente viralizou. Comentários bem-humorados acompanharam a publicação, como “A mulher levou a morte da Odete a sério” e “Meu bem, não é de bom tom expor os pedidos de oração dos fiéis”.

No município de Seara, no Oeste catarinense, o padre Cleber Pagliochi publicou uma nota oficial esclarecendo que não atenderia aos pedidos de oração pela personagem. “Por mais marcante que seja na memória popular, a oração cristã deve sempre se dirigir a pessoas reais e a situações concretas de nossa vida e fé”, afirmou o religioso.
Na mesma mensagem, o padre destacou a importância de direcionar as orações a quem realmente sofre e necessita de consolo. “E também para que a ficção nunca substitua a compaixão verdadeira que nasce do Evangelho”, completou.

A comoção pela morte de Odete Roitman foi reacendida com a nova exibição da novela Vale Tudo. No capítulo transmitido na segunda-feira (6), a personagem foi assassinada em sua suíte no Copacabana Palace, reativando o mistério que marcou a teledramaturgia brasileira. Na versão original, a autora do disparo foi Leila, esposa de Marco Aurélio.
A pergunta “Quem matou Odete Roitman?” tornou-se uma das mais emblemáticas da televisão brasileira, sendo frequentemente lembrada como símbolo do impacto cultural das novelas no país. A repercussão atual evidencia como personagens fictícios continuam a mobilizar emoções e reações reais entre o público, mesmo décadas após sua criação.