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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Foto: Divulgação

PF prende “Careca do INSS” e empresário por fraude bilionária contra aposentados

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta sexta-feira (12) Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti, apontados como operadores centrais de um esquema de fraude previdenciária que teria causado prejuízo bilionário aos cofres públicos e afetado milhões de aposentados e pensionistas em todo o país.

As prisões foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e fazem parte da Operação Cambota, desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga a atuação de associações de fachada e o uso indevido de dados de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além das prisões, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.

Esquema de fraude

Segundo a PF, o golpe operava em três etapas:

  • Criação de associações de fachada para simular vínculos com beneficiários;
  • Pagamento de propina a servidores do INSS para obter acesso a dados sigilosos;
  • Uso de assinaturas falsas para autorizar descontos indevidos diretamente na folha de pagamento de aposentadorias e pensões.

O esquema teria funcionado entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. Relatórios da Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) do INSS apontam movimentações financeiras incompatíveis com atividades lícitas, incluindo R$ 24,5 milhões em cinco meses e repasses que ultrapassam R$ 53,8 milhões.

Envolvimento de entidades

Entre as entidades investigadas estão a Contag, a Cobap e associações ligadas a Camisotti, como Ambec, Unsbras e Cebap. Juntas, essas organizações teriam movimentado cerca de R$ 1 bilhão e afetado diretamente quase 1 milhão de beneficiários.

Antunes foi preso em Brasília e levado à Superintendência da PF no Distrito Federal. Camisotti foi detido em São Paulo e é apontado como sócio oculto de diversas associações envolvidas no esquema. Durante as buscas, foram apreendidos bens de alto valor, incluindo uma Ferrari, uma réplica de carro de Fórmula 1, relógios de luxo e dinheiro em espécie.

Repercussão e próximos passos

A CPMI do INSS aprovou a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados, além de pedidos de informações sobre movimentações financeiras e registros em órgãos públicos. A Advocacia-Geral da União (AGU) já obteve na Justiça o bloqueio de R$ 2,8 bilhões em ativos de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

A PF também apura se houve tentativa de obstrução das investigações e ocultação de patrimônio. Especialistas apontam que o caso revela falhas nos sistemas de controle do INSS e a existência de uma indústria de fraudes que compromete a segurança dos benefícios previdenciários.

A expectativa é que, com as prisões, novas provas sejam reunidas para ampliar o cerco contra os responsáveis por um dos maiores esquemas de fraude previdenciária da história do Brasil.

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