A manhã de segunda-feira (1º) foi marcada por uma descoberta macabra na Estação Rodoviária de Porto Alegre. Por volta das 10h30, uma guarnição da Brigada Militar foi acionada após funcionários do setor de guarda-volumes encontrarem parte de um corpo humano dentro de uma mala. O compartimento continha apenas o tronco da vítima, sem crânio ou membros, o que exigirá identificação por meio de exame de DNA.

Mala estava no local há 12 dias
Segundo Henrique Zamora Rodrigues, supervisor do setor, a mala foi deixada no guarda-volumes no dia 20 de agosto por um homem que realizou cadastro e informou que outra pessoa retiraria o item. Com o passar dos dias e o aumento da temperatura, o odor se intensificou, levando os funcionários a decidirem pelo descarte da bagagem.
“Arrebentamos os cadeados e vimos que havia sacos de lixo dentro. Começamos a mexer nas sacolas e o odor de algo podre ficou ainda mais forte. E assim percebemos que se tratava de um cadáver. Foi um grande susto. Trabalho há mais de 20 anos na rodoviária e nunca tinha passado por uma situação minimamente parecida”, relatou Henrique.
Investigação em andamento
A Polícia Civil isolou o local e abriu inquérito para apurar o crime. Imagens das câmeras de segurança da rodoviária já foram recolhidas e mostram o momento em que a mala foi deixada no setor de guarda-volumes. O delegado Mario Souza, diretor do Departamento de Homicídios, afirmou que o suspeito do crime aparenta ter conhecimento técnico de corte, o que pode indicar atuação profissional na área médica, veterinária ou frigorífica.
Há também a suspeita de que o tronco encontrado esteja relacionado a outro caso ocorrido em 13 de agosto, quando membros superiores foram localizados em sacolas de lixo na Zona Leste da capital. A polícia trabalha com a hipótese de que os restos mortais pertençam à mesma vítima.
Perfil do suspeito
O homem que deixou a mala teria usado luvas, máscara N95 e boné, além de fornecer dois números de CPF — um verdadeiro e outro falso — para o cadastro no guarda-volumes. A polícia acredita que ele tenha ligação direta com a vítima e que o crime não esteja relacionado ao crime organizado, mas sim a uma motivação pessoal.
A identificação da vítima será realizada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), que também deverá confirmar se há conexão entre os dois episódios. Até o momento, ninguém foi preso.