Uma bebê de apenas dois meses deu entrada em estado grave no Hospital Maicé, em Caçador, com múltiplas lesões pelo corpo, fratura craniana, sangramento, baixo peso e sinais de negligência. O caso, registrado na noite de quarta-feira (20), levou à prisão em flagrante do padrasto da criança, que permanece detido após a conversão da prisão para preventiva.
Segundo informações médicas, a bebê também sofreu convulsões e foi transferida para o Hospital Universitário Santa Terezinha, em Joaçaba, a cerca de 100 quilômetros de Caçador, devido à gravidade do quadro clínico. A irmã da vítima, de pouco mais de um ano, também apresentava ferimentos e foi encaminhada ao hospital para avaliação médica.
Residência apresentava condições insalubres
A Polícia Militar foi acionada pelo hospital e, junto ao Conselho Tutelar, realizou diligência na residência da família. No local, foram constatadas condições insalubres e fortes indícios de negligência. A criança mais velha foi acolhida pela rede de proteção e está sob acompanhamento das autoridades competentes.
A Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCami) de Caçador conduz a investigação. A delegada Marina Cordella informou que, durante os procedimentos, a mãe da bebê também apresentava hematomas, levantando suspeitas de violência doméstica, que serão apuradas separadamente.
Outros casos registrados no estado
Este é o terceiro caso de violência grave contra crianças registrado em Santa Catarina em menos de uma semana. Em Joaçaba, uma bebê de 8 meses morreu na noite de quarta-feira (20) após ser internada com fraturas antigas e recentes, além de lesão pulmonar. A mãe da vítima foi ouvida e liberada, enquanto o padrasto é investigado.
Em Florianópolis, um menino de 4 anos morreu no domingo (17) após ser levado desacordado ao hospital. A equipe médica identificou lesões compatíveis com agressões anteriores. O padrasto teve a prisão em flagrante convertida em preventiva, enquanto a mãe foi liberada com medidas cautelares.
Repercussão e medidas de proteção
Os casos têm mobilizado autoridades e entidades de proteção à infância em Santa Catarina. O Conselho Tutelar acompanha todas as ocorrências e atua na garantia dos direitos das crianças envolvidas. A Polícia Científica reforça a importância da coleta de provas periciais nas primeiras 72 horas após a violência, como forma de assegurar responsabilização dos agressores e evitar a impunidade.
A sociedade civil e órgãos públicos têm intensificado campanhas de conscientização e fortalecimento da rede de apoio às vítimas, diante do aumento de registros de violência infantil no estado.