Uma operação deflagrada na terça-feira, 15 de julho, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em conjunto com o CyberGaeco e o Ministério Público Federal, revelou um suposto esquema de venda de material de abuso sexual infantil na Dark Web, a camada oculta da internet acessível apenas por softwares específicos. Batizada de “Pharos”, a ação resultou no cumprimento de um mandado de busca e apreensão em Florianópolis, expedido pela 1ª Vara Federal da capital, marcando um avanço no combate a crimes cibernéticos de alta complexidade.
A investigação teve início após informações fornecidas pela Homeland Security Investigations (HSI), por meio da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, apontarem para um suspeito em Santa Catarina. O indivíduo, alvo da operação, é acusado de administrar plataformas clandestinas na Dark Web voltadas à comercialização de conteúdo pornográfico infantojuvenil (CSAM), com compradores no Brasil e no exterior. Além da venda, o suspeito teria praticado extorsão, utilizando capturas de tela das conversas para chantagear os compradores.
O rastreamento de transações financeiras com criptoativos, como Bitcoin, foi crucial para a investigação. As autoridades identificaram carteiras digitais vinculadas ao suspeito, que seriam usadas para ocultar a identidade dos envolvidos e dificultar o rastreamento. Um cidadão norte-americano também foi apontado como responsável por transferências para essas carteiras, diretamente associadas ao comércio ilegal. A operação contou com o apoio técnico da Polícia Científica e do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (NIS/TJSC).
O nome “Pharos”, inspirado no Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do mundo antigo, simboliza a vigilância e o compromisso do Ministério Público de Santa Catarina em esclarecer crimes nas camadas mais obscuras da internet. A operação reforça a luta pela proteção de crianças e adolescentes, com as investigações tramitando sob sigilo. Novas informações serão divulgadas assim que autorizadas, enquanto o Gaeco e parceiros intensificam esforços para desmantelar redes criminosas que exploram a Dark Web.