A relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o bilionário Elon Musk, outrora aliados próximos, atingiu um ponto de ruptura nesta terça-feira, 1º de julho de 2025, com Trump sugerindo a possibilidade de deportar o CEO da Tesla e SpaceX. A declaração, feita em tom provocador, veio em resposta a uma pergunta de uma repórter enquanto o presidente se preparava para embarcar para a Flórida, onde participaria da inauguração de um novo centro de detenção para imigrantes. “Eu não sei. Acho que vamos precisar olhar. Vamos ter que colocar o DOGE contra o Elon. Você sabe o que é o DOGE? O DOGE é o monstro que pode voltar e comer o Elon. Isso não seria terrível?”, disse Trump, referindo-se ao Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), iniciativa que Musk liderou brevemente antes de se afastar em maio.
O embate público entre os dois magnatas, que já foram parceiros políticos, explodiu após Musk intensificar suas críticas ao projeto de lei de corte de impostos e gastos defendido por Trump. O bilionário, que investiu cerca de US$ 250 milhões na campanha de reeleição de Trump em 2024, chamou o projeto de “abominação nojenta” e prometeu financiar campanhas primárias contra republicanos que o apoiassem, acusando-os de trair promessas de redução de gastos. O projeto, conhecido como “One Big Beautiful Bill”, prevê a extensão de cortes de impostos da primeira gestão de Trump, ao custo de US$ 4,5 trilhões, além de reforçar a segurança na fronteira, mas é criticado por analistas apartidários por potencialmente adicionar US$ 3,3 trilhões à dívida nacional na próxima década.
Musk, nascido em Pretória, África do Sul, e naturalizado cidadão americano em 2002, respondeu às ameaças de Trump com provocações em sua plataforma X. “Estou literalmente dizendo para cortar tudo. Agora”, escreveu, reiterando sua oposição ao projeto e sugerindo que, sem seu apoio financeiro, Trump não teria vencido as eleições. O bilionário também chegou a ameaçar desativar a espaçonave Dragon da SpaceX, essencial para missões da NASA, embora tenha recuado da declaração horas depois. A troca de farpas impactou diretamente o mercado: as ações da Tesla caíram 6% na terça-feira, após uma queda de 14% em junho, quando a disputa ganhou holofotes, resultando em uma perda de cerca de US$ 150 bilhões no valor de mercado da empresa.
A tensão se agravou com a sugestão de Trump de que o DOGE, agora sem Musk, poderia investigar os bilhões em subsídios e contratos federais que beneficiam as empresas do bilionário, como a Tesla e a SpaceX. Segundo estimativas do Washington Post, as companhias de Musk receberam pelo menos US$ 38 bilhões em contratos, empréstimos, subsídios e créditos fiscais do governo americano nas últimas duas décadas, com a SpaceX sozinha garantindo US$ 22 bilhões em contratos federais. Trump insinuou que, sem esses recursos, Musk “provavelmente teria que fechar as portas e voltar para a África do Sul”. A ameaça de deportação, embora improvável devido à cidadania americana de Musk, foi amplificada por aliados de Trump, como Steve Bannon, que defendeu uma investigação sobre o status imigratório do bilionário, chamando-o de “estrangeiro ilegal” sem evidências.
Enquanto isso, Trump usou a inauguração do centro de detenção em Dade Collier, na Flórida, apelidado de “Alcatraz do Jacaré”, para reforçar sua agenda de deportações em massa. Localizado em uma região pantanosa a 60 km de Miami, o complexo de US$ 450 milhões anuais tem capacidade para cinco mil pessoas e simboliza a determinação do governo em reverter políticas migratórias da administração Biden. A escolha do local, cercado por jacarés e pítons, foi um gesto calculado da Casa Branca para projetar força, mas também atraiu críticas por sua teatralidade.
O conflito entre Trump e Musk expõe fissuras no Partido Republicano, que enfrenta divisões internas sobre o projeto orçamentário. Enquanto Trump pressiona pela aprovação da lei antes do feriado de 4 de julho, Musk usa sua influência e fortuna para desafiar o presidente, chegando a sugerir a criação de um novo partido político. A disputa, que já custou bilhões em valor de mercado à Tesla e ameaça contratos cruciais da SpaceX, levanta questões sobre o futuro da relação entre o governo americano e as empresas de Musk, que desempenham papéis estratégicos em áreas como exploração espacial e mobilidade elétrica. Em meio a insultos e provocações, o embate entre os dois titãs continua a dominar o cenário político, com consequências imprevisíveis para a economia e a política americana.