O pão nosso de cada dia pode ficar mais caro nas próximas semanas, segundo economistas. O aumento é resultado da revogação feita pela Rússia, no último dia 17, do acordo que “segurava” a alta no preço dos grãos por conta da guerra na Ucrânia. O trato permitia que trigo, milho e outros grãos ucranianos bloqueados pelo conflito fossem transportados pelo Mar Negro com segurança.
Segundo o economista-chefe da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Pablo Bittencourt, o brasileiro pode sentir no bolso as mudanças no cenário global com o fim do acordo.
Isso porque o preço do trigo, por exemplo, componente básico da alimentação no país, deve subir. O aumento é uma resposta global frente aos desdobramentos na guerra entre Rússia e Ucrânia.
“Os grãos saíam pelo Mar Negro e iam especialmente para o Norte da África e para a Europa. O principal ponto é que [com o fim do acordo] esses demandantes vão ficar inseguros em relação à capacidade de manutenção da oferta da Ucrânia”, explica Bittencourt.
De acordo com o economista, o impacto nos preços deve ser sentido também em Santa Catarina.
Entenda o acordo
Desde que o conflito entre Rússia e Ucrânia começou, em fevereiro de 2022, o preço dos grãos (trigo, milho, entre outros) tem sido motivo de preocupação para o mercado.
O motivo é que o início da guerra levou a uma disparada nos preços, já que ambos os países estão entre os maiores exportadores de commodities do mundo.
Um acordo negociado em julho do ano passado entre os dois governos permitiu que a Ucrânia escoasse sua produção de grãos por uma rota alternativa, no Mar Negro, sem o impedimento russo. Em plena crise global alimentar, a tratativa reduziu os preços de alimentos em mais de 20%, de acordo com a agência da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO).
Revogação russa
De acordo com o governo russo, o acordo foi revogado porque as demandas para melhorar as exportações de grãos e fertilizantes da própria Rússia não foram atendidas. O país também reclamou que não chegavam grãos suficientes aos países pobres.
O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, afirmou, no entanto, que o acordo pode ser revivido se a parte que beneficia a Rússia fosse honrada.
“Assim que a parte russa dos acordos for cumprida, o lado russo retornará à implementação deste acordo, imediatamente”, disse Peskov em texto publicado pela agência russa de notícias Tass.
E o Brasil com isso?
A Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais de girassol, milho, trigo e cevada, e assim que o acordo foi revogado, os preços dos produtos já apresentaram alta.
O economista-chefe da Fiesc explica que essa é uma reação normal de mercado, mas que não deve ser exagerada como foi em 2022, no início do conflito.
“Quando a guerra iniciou, a Rússia e a Ucrânia eram grandes produtores, tinham um um grande nível de oferta desses grãos para o mundo todo. Com o conflito, diversos países passaram a produzir ou a investir mais na produção de trigo e milho, em especial. Um deles é o Brasil”, afirma Bittencourt.
Segundo ele, isso deve equilibrar um pouco a balança e evitar que os preços subam tanto.
Para a safra de 2023, as expectativas são positivas, e entidades do setor acreditam que os bons resultados podem contribuir para conter os preços internos do milho e do trigo.
Fonte: ND+