Santa Catarina deu um passo histórico na proteção animal com o lançamento do programa Pet Levado a Sério, anunciado no final de abril de 2025 pelo governador Jorginho Mello. Considerada a maior iniciativa estadual de castração animal já realizada no Brasil, a ação destinará R$ 18 milhões para realizar 90 mil castrações de cães e gatos até 2026, abrangendo 281 municípios com até 100 mil habitantes, o que corresponde a 95% do território catarinense. Estruturado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), o programa vai além da esterilização, promovendo microchipagem, educação para guarda responsável e capacitação de gestores municipais, com o objetivo de transformar a relação entre a sociedade, os animais e a saúde pública.

Os recursos serão distribuídos diretamente aos municípios por meio de convênios simplificados, com valores proporcionais à população e baseados em critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Um exemplo é Concórdia, no Oeste catarinense, que receberá R$ 350 mil para realizar 1.750 castrações. O secretário da Semae, Emerson Stein, destaca que a castração é essencial para controlar a superpopulação de animais, reduzir o abandono e prevenir doenças como tumores e cânceres em pets, além de diminuir riscos de zoonoses, como raiva e leptospirose, que impactam a saúde pública. “Estamos cuidando dos animais e, ao mesmo tempo, protegendo a população, porque menos animais nas ruas significa menos acidentes e doenças”, afirmou Stein.

O programa teve seu edital anunciado para publicação nos próximos dias no site da Semae, e os municípios terão 60 dias para se inscrever, apresentando um termo de compromisso, detalhes da coordenação técnica e um projeto de execução. As prefeituras contempladas receberão suporte técnico para garantir que as castrações sejam realizadas de forma ética e eficiente, com equipes capacitadas para planejar e executar as ações. O programa também investe em frentes complementares, como campanhas educativas para promover a guarda responsável, iniciativas de combate a maus-tratos e abandono, e o fortalecimento da conexão entre bem-estar animal e saúde pública.

O lançamento ocorreu durante o 1º Fórum de Prevenção da Crueldade Animal, em Florianópolis, um evento que reuniu gestores, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os desafios da causa animal. Fabrícia Costa, diretora de Bem-Estar Animal da Semae, reforçou a importância do programa como uma política pública inovadora. “Santa Catarina está assumindo um papel de liderança ao tratar a castração não apenas como cuidado animal, mas como uma questão de saúde e segurança para todos”, disse. A iniciativa já é celebrada por ativistas e moradores, como Mariana Silva, de Concórdia, que vê no programa uma chance de reduzir o sofrimento de animais abandonados. “É um alívio saber que a cidade terá apoio para cuidar dos bichos de rua, que muitas vezes vivem em condições tão tristes”, comentou. Com metas ambiciosas e uma abordagem integrada, o Pet Levado a Sério promete marcar uma nova era na proteção animal em Santa Catarina.