Número de crianças que não sabem ler e escrever no Brasil cresce 66% durante a pandemia

Escrito por em fevereiro 9, 2022

 

 

 

 

O número de crianças de 6 a 7 anos de idade que, segundo os responsáveis, não sabem ler e escrever no Brasil cresceu 66,3%, entre 2019 e 2021. É o que indica um levantamento do Todos Pela Educação. O número subiu de 1,4 milhão em 2019 para 2,4 milhões em 2021.

 

O levantamento aponta ainda que o percentual de crianças da mesma faixa etária, que não foram alfabetizadas, passou de 25,1%, em 2019, para 40,8%, em 2021. Em 2020 e 2021, houve aumento expressivo na taxa, que alcançou os maiores valores em 10 anos de acompanhamento do indicador. As informações são do R7.

 

A nota técnica “Impactos da pandemia na alfabetização de crianças” apresentou indicadores que mostram efeitos da pandemia na educação. O levantamento foi produzido com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De acordo com dados, a pandemia reforçou a diferença de aprendizado entre crianças brancas de 6 e 7 anos e as pretas e pardas. As pretas e pardas passaram de 28% em 2019 para até 47% em 2021. Já nas brancas, o aumento foi de 20,3% para 35,1% no mesmo período.

 

Houve ainda um crescimento de desigualdades entre crianças que moram em áreas mais ricas em comparação com as mais pobres do país de 2019 a 2021.

 

De acordo com a pesquisa, o percentual das que não sabiam ler e escrever aumentou de 33,6% para 51% entre os mais pobres. Nas crianças mais ricas, o impacto na alfabetização foi menor, mas passou de 11,4% para 16,6% no período.

 

Os números mostraram a situação mais preocupante para as crianças que se estão em situação de maior vulnerabilidade econômica.

 

Alfabetização

 

As crianças têm prejuízos futuros nas aprendizagens futuras com a não-alfabetização em idade adequada e aumenta os riscos de reprovação, abandono ou até evasão escolar.

 

A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) estabelece que a alfabetização seja prioridade nos dois primeiros anos do ensino fundamental para que as crianças “se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos”.

As informações da nota técnica, divulgada pelo Todos Pela Educação, confirmam as avaliações de aprendizagem que estados e municípios aplicam em estudantes e escancaram os desafios ao poder público.

 

“Os efeitos são graves e profundos, então não serão superados com ações pontuais. As Secretarias de Educação precisam oferecer um apoio muito bem estruturado à gestão escolar e aos professores, que já estão com imensos desafios”, afirmou Gabriel Corrêa, líder de políticas educacionais do Todos Pela Educação.

 

Para ele, os governos têm de oferecer a responsabilidade apoio técnico e financeiro às prefeituras e não podem se omitir. “Não adianta deixarmos toda a responsabilidade com os municípios, só porque ofertam a grande maioria das matrículas dos primeiros anos do fundamental. Os governos estaduais e federal não podem se omitir. Devem oferecer apoio técnico e financeiro às prefeituras. A tragédia na alfabetização não pode ficar invisível”, conclui.

 

Fonte: ND+

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